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sábado, 29 de novembro de 2014

A missão de Nicolau - Já à venda

Boa noite!!!

Já está à venda o livro "A missão de Nicolau". Você pode encontrar a versão impressa ou digital nos links abaixo:

Livro impresso

E-book


terça-feira, 25 de novembro de 2014

"A missão de Nicolau" - Lançamento




Boa noite a todos!!! Depois de um longo jejum estou de volta, com a novidade do ano: o lançamento do meu livro "A missão de Nicolau". Confira mais detalhes sobre essa história nos links abaixo.

O mundo está sombrio e sem esperança. As forças do mal, conhecidas como “as Trevas”, dominaram os céus, matando o sol e escurecendo a vida. Crianças têm que viver em esconderijos até atingirem a adolescência, pois qualquer descuido as transforma em alvo fácil para as Trevas que, através de uma densa e negra névoa, levam suas almas. Segundo os livros antigos, as crianças levadas pelas Trevas reencarnam como duendes, seres tidos como inferiores, descriminados e escravizados pela sociedade. Nesta humanidade cruel e abandonada apenas uma lenda ousa alimentar a esperança dos mais crédulos: o Duende Crescido. 
 
Em uma vila esquecida pelos deuses, no reino do Vale Sombrio, numa noite fria como a morte surge Suwus, um duende livre e diferente dos demais. Suwus entra no bar da vila, onde tem sua coragem posta à prova, desencadeando uma série de eventos que mudam a vida de Suwus, dos habitantes do Vale Sombrio, e de todas as pessoas do mundo. Uma grande guerra se aproxima, diferente de todas as outras que se tem registro. Suwus tenta não se envolver na guerra, mas seu destino o arrasta diretamente para o centro do conflito, onde dá um grande passo no cumprimento de sua missão. 

Seria Suwus a lenda viva, ou apenas um duende que entrará na guerra contra as Trevas? Confira esta incrível história, encontre você também a sua missão!

Para comprar, acesse a página do livro na Amazon.com

Facebook: https://m.facebook.com/amissaodenicolau

Twitter: https://twitter.com/APFrauches

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Troquemos as Fraldas!



Mentira tem perna curta. A frase célebre dita por avós e avôs para tantas gerações tem um dos alicerces mais fortes do universo. Quando pequenos aprendemos essa lição. Pena que nem todos a carreguem na vida adulta, deixando de aplicá-la a todas as pequenas mentirinhas que brincamos de pregar.


Somos um povo miserável, inescrupuloso e que beira a extrema falta de princípios. Onde podemos levar vantagem, levamos. E quando algo foge do nosso interesse, reclamamos. A série de manifestações que estão acontecendo atualmente pode até ter sido desencadeada por algo simplório, quando comparado aos outros milhares de problemas que o país enfrenta, mas pode ser uma excelente ferramenta para mudar esse pensamento do povo, e lutar contra os absurdos que existem. Porém é preciso que os que lutam contra a manipulação feita pela mídia não sejam manipulados. É preciso que não haja política na luta contra a política. Do contrário se torna apenas uma tentativa de inversão do poder. É preciso que os objetivos sejam claros. Assim será possível ensinar a quem tem o poder nas mãos que não se pode brincar com o país, rir e achar que nada vai mudar. Toda mentira tem perna curta.


Por anos o Brasil passou por um governo militar, que tinha, como qualquer outro, seus prós e contras. Alguns contras eram muito ruins, é verdade. Mas não quero entrar no mérito de discutir aqui se isso foi bom ou ruim para o país. A questão é que os maiores soldados na guerra contra a ditadura militar estão hoje no poder. E a grande afirmação que paira no ar é: olha no que deu!


Se este movimento for levado com calma e objetivo, sem se tornar apenas uma baderna organizada, entraremos novamente em uma fase de mudança. Talvez o fim da ditadura da corrupção, não sei, é um pensamento otimista e possível... Mas se nós não mudarmos nossa essência de brasileiros, daqui a 30 anos nossos filhos estarão fazendo exatamente as mesmas coisas. E esse ciclo maldito nos perseguirá eternamente.


Eça de Queiroz disse que: “Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos pelo mesmo motivo”. Certíssimo! Mas se o povo fizer o dever de casa direito a situação muda, se não em definitivo, por um maior período. Manifestar-se é importante, mas o povo não pode parar por aí. O povo tem que educar os filhos, desde as pequenas coisas. O povo tem que parar de querer levar vantagem em tudo, parar de querer enrolar o próprio povo onde puder, o povo tem que dar o exemplo. Se o povo não respeita o povo, não pode exigir que o político o faça! O dever de casa não é só manifestar-se, protestar, exigir e cobrar. Nada adianta cobrar que os outros façam algo certo se no dia que chegamos em suas posições fazemos tudo errado. Se o povo trocar a fralda, passar lencinho, talco e Hipoglos, a mudança dura para sempre!




segunda-feira, 10 de junho de 2013

Por que ficamos mais burros quando viajamos?

Boa noite inoxidáveis leitores! Depois de décadas de jejum estou aqui de volta, respondendo aos milhões de pedidos via e-mail, carta ou telegrama! E mais uma vez estamos aqui tentando entender e explicar as maravilhas que somos capazes de fazer quando estamos realmente inspirados!

Por que somos mais burros quando viajamos? Azar? Descuido? “Comigo não acontece...”. Mentira! Acontece com todo mundo. Quem não tem uma história desastrosa sobre uma viagem para contar? Todos nós já contrariamos todas as leis do bom senso em uma viagem e demos com a cara na parede. Mas, como disse o sábio: O importante é ter bom humor...

Nem tudo de ruim que acontece nas viagens é culpa nossa, é verdade. O voo atrasa, a mala some, o taxi vai embora com sua carteira lá dentro... E a recíproca é verdadeira: nem tudo o que acontece nas viagens, que não é nossa culpa, é ruim. Todos já passamos por bons imprevistos na viagem. O acaso também sabe agradar! Sei que estou voltando a um tópico já abordado aqui no texto “Ordem é progresso”, mas o Rio de Janeiro, pelo menos como ele é, é fruto de um destes bons acasos que acontecem com os viajantes.

Por que os portugueses pararam aqui quando estavam margeando o litoral? Por que não pararam no litoral do Espírito Santo? Eles simplesmente tinham que parar aqui. Estavam dando uma de mochileiros, sem destino. E quando viram a paisagem decidiram que tinham que parar. Quando viram a Floresta da Tijuca, o Pão de Açúcar, as praias com as índias peladas e o frescobol rolando, o Cristo Redentor e a Ponte Rio Niterói eles simplesmente não resistiram: tinham que descer das caravelas e conhecer a galera, tirar umas fotos e colocar no Face, marcando o rei de Portugal e com as hashtags #Instasagres #Instaveracruz #indiaséocaralho e #chupaespanha.

Voltando ao assunto: fazemos mais burrice quando viajamos, isto é fato. Esquecemos o que nunca esquecemos, saímos sempre em cima da hora, ficamos mais desastrados e perdemos a noção de nossa capacidade física. Parece que nosso cérebro e nosso bom senso saem de férias. A ponto de estarmos dirigindo e vermos uma placa que indica o caminho para nosso destino. Então olhamos para a rua e pensamos “não tá com cara de ser por ali...”, e pegamos o sentido contrário, como se, por esporte, algum suíno espiritual colocaria uma placa indicando o caminho errado...

Está certo que em algumas situações o ambiente não nos favorece. Um dos lugares mais estressantes, quando se trata de viagens, são os aeroportos. Tudo no aeroporto é feito para te deixar mais puto e desapegado de bom senso. As filas são grandes, a burocracia é maior, você é obrigado a tirar o cinto, o sapato, a cueca..., chega com horas de antecedência e tudo atrasa. É o caos. E aquelas televisões que ficam passando comerciais e boletins informativos? É cilada Bino! Não olhe para elas... Sua programação é feita para nos tirar da realidade. O intuito dos responsáveis por elas é nos fazer passar nossa vida no aeroporto. Cada comercial da programação possui uma pequena história com um milhão de acontecimentos em apenas 30 segundos. É quase um desenho do Bob Esponja. Você acompanha uma vez cada comercial (geralmente são cinco), e fica com dor de cabeça. Então resolve não olhar mais... Mas como não acontece nada de interessante ao seu redor, a internet do telefone não funciona e ainda faltam três horas para seu voo, você volta a olhar. E antes que perceba estará tentando adivinhar se depois da propaganda do Banco do Brasil vem o boletim com a mesma notícia sobre a seleção, ou o comercial com o trem azul da TIM...

Mas, de longe, o mais marcante em viagens é o aumento no índice de acontecimentos envolvendo o dom humano para desastres. Parece que esquecemos que temos apenas duas mãos. Começamos a carregar malas e sacolas em lugares que não foram feitos para tal. Tem gente que morde a alça da mala, coloca a sacola em baixo do braço, anda rebolando com a mala entre as pernas... Tem o cara que tá sozinho, com fome e com pressa. Que para na praça de alimentação e não quer deixar as malas sozinhas na mesa para comprar a comida. Então sai do Bob’s com uma mala em uma mão, uma bolsa em baixo do braço, mordendo a carteira e segurando com a outra mão uma bandeja com três sanduiches, duas batatas, dois refrigerantes e um milk shake. E o cidadão mesmo assim não percebe que vai dar merda...

A história mais tosca que conheço envolvendo um desastrado e um aeroporto possui também em seu elenco uma água de côco em caixinha. Não, não aconteceu comigo, nem gosto de água de côco. O cara estava com uma mala grande e com pressa. Passou em frente a um daqueles quiosques de lanche e pensou: “vou comprar uma água de côco”. Então pediu uma daquelas caixinhas, singela, pura e imaculada. Enterrou o canudinho na caixinha e cometeu um dos erros mais graves que podemos cometer quando estamos viajando: para economizar tempo, resolveu comer andando. Então segurou a mala com uma mão, colocou algumas coisas soltas debaixo do braço que segurava a mala, e com a outra mão segurava a caixinha. Que cena brilhante! Ele saboreava sua água de côco, enquanto caminhava e olhava para tudo à sua volta, menos para a caixinha. Em uma das investidas do canudo contra a boca, provavelmente com os olhos mirando o painel com os voos e os horários, o safado do canudo entrou no nariz. O cara, então, cometeu de novo o erro primário: tentou resolver a situação andando. Puxou forte a caixinha de volta. Tudo resolvido! Só que o canudo não voltou com a caixinha, ficou no nariz. Nessa hora a paciência vai embora, dá lugar a vergonha por estarmos em um lugar público, com um canudinho enfiado no nariz. Ele poderia ter parado, largado a mala e retirado o canudinho do nariz normalmente. Mas nesses momentos não pensamos direito. Em vez de tomar a decisão mais sábia, ele continuou andando, segurando a mala e a caixinha, e tentou retirar o canudo assoando o nariz. Eu não vi a cena, mas imagino um cara assoando o nariz para expulsar um canudinho, andando pelo saguão, provavelmente andando rápido, tentando não ser visto. Finalmente o iluminado perdeu totalmente a paciência. Ao passar perto de uma lixeira colocou a mala no chão e jogou o canudinho e a caixinha no lixo.

Na verdade somos como os animais: quando somos retirados dos locais familiares deixamos de nos sentir a vontade. Só que em vez de ficarmos agressivos e nos escondermos, tendemos a ficar mais desastrados. E, se alguns de nós já são desastrados em casa e tranquilos, imagina em um ambiente onde a pressa e o stress estão sempre presentes? Acredito que o melhor que podemos fazer é nos prevenir e termos calma. E, de novo citando o sábio, rir das merdas que acontecem.


domingo, 7 de abril de 2013

Memórias de um reino na Zona Norte

Boa noite a todos os milhões de leitores semi órfãos deste blog! Há muito tempo não nos comunicamos através deste veneno chamado internet. Da última vez o Papa não era Argentino, o Flamengo liderava o seu grupo no turno do Campeonato Carioca, e a única coisa que a Daniela Mercury e o Ricky Martin tinham em comum era a música! As coisas mudam muito rápido hoje em dia... E por falar em mudança e hoje em dia, alguns pensamentos sobre memórias e afins.

Todos nós ouvimos histórias de nossos pais e outras pessoas mais velhas que estiveram presentes em nossa criação. Todos nós ouvimos os tão famosos “no meu tempo era diferente...”. Todos nós sabemos como é um pé no saco esse tipo de coisa. Mas mesmo assim todos nós adorávamos ouvir as histórias. E eu, mesmo não sendo tão velho quanto pensam, já me peguei soltando minhas críticas ao tempo colorido que estamos vivendo.


Quando eu era pequeno minha mãe contava histórias sobre a cidade pequena no interior de Minas Gerais, onde ela nasceu. E meu pai contava histórias do interior da cidade pequena no interior, onde ele nasceu. Eram histórias tranquilas e serenas, de um tempo onde todos andavam armados e as coisas simplesmente aconteciam, sem razão ou explicação. Algumas inacreditáveis, sobre caminhadas de 15 km para se usar um telefone, ou a primeira vez que viram uma pedra de gelo, aos dez anos de idade. Mas são excelentes histórias! Mas uma coisa sempre me deixou preocupado: que histórias eu, um inocente morador do Engenho da Rainha, terei para contar para os meus filhos?

Naquele tempo eu achava que o presente (da época, passado de hoje) não seria interessante para as pessoas no futuro (futuro da época, que ainda é futuro hoje). Muito confuso? Tentarei me expressar melhor. Pra mim, quando eu era pequeno, tudo na minha vida era normal e chato, e nunca se tornaria tão interessante quanto as histórias de assombrações que meus tios contavam. Mas hoje, uns vinte anos depois, vejo que é bem diferente. São histórias diferentes, claro, mas eu tenho algumas boas memórias do reino encantado de Inhaúma e adjacências.

É impossível descrever esta região sem começar pela pedreira. Ela já existia quando meu pai veio morar aqui, em 1966. E até hoje ela explode a montanha, treme o chão e quebra janelas. Só quem mora por aqui pode entender do que estou falando. Nos tempos de TV com antena, a explosão fazia aparecer chapiscos na tela. Ela teve seu reconhecimento global ao servir de fuga para os traficantes enquanto eram filmados pela TV, em 2010.

Outra característica marcante é o calor. Não importa o quão quente esteja, aqui estará mais! Eu não lembro de um dia sequer na minha infância em que eu estivesse sentindo frio aqui. Claro que houve, não foram dez anos de verão. Mas os dias quentes simplesmente marcaram essa fase da minha vida. Eu lembro do chão da varanda queimando a sola dos meus pés, e eu insistindo em ficar lá, para ver a rua. Ou então queimando os pés no terraço, para ver a pedreira explodindo.

Outra história que tenho certeza que entreterá meus filhos conta sobre o exército de Kombis falantes. As Kombis do Rio de Janeiro falam, não é novidade para ninguém. Mas talvez um dia seja. E em um breve momento, quando as malditas gravações eram novidade, as Kombis não se continham em dizer apenas o trajeto. Este, na maioria das vezes, era dito pelo cobrador, que andava pendurado na porta aberta. A Kombi se aproximava do ponto, a porta abria, o candango saia e gritava: “Estrada Velha da Pavuna, PAM de Del Castilho, Catedral, Norte Shop”. Era “Shop” mesmo, tenho certeza porque estava escrito no vidro também. E este era o trajeto de ida, o de volta era: “Norte Shop, Cemitério de Inhaúma, Shop Nova América, Estrada Velha até o mercado Rioooooou”. Experimentos recentes comprovam que estas duas frases, ditas na velocidade e tom correto, podem fazer um morador de Inhaúma voltar dez anos no tempo. Sem contar as frases que eram ditas pelas gravações nas Kombis: “Pitibichaaaaaa AU AU”, “Tá com pressa, vai pescar”, entre outras...

Para as futuras noites de tempestade (espero que sem falta de luz, devido à evolução das distribuidoras de energia do futuro) tenho também as histórias de terror. Assaltos, arrastões, tiroteios. Posso contar da vez que fomos assaltados na rua principal do bairro, ao meio dia de uma quarta feira. Nada absurdo, um assalto discreto. Os caras fecharam a rua, pararam o trânsito nos dois sentidos, e realizaram a ação. Sobre os tiroteios, posso contar das sessões diárias. Tinha a matinê, entre três e cinco da tarde, a sessão “Jornal Nacional”, sempre às oito da noite, e a corujão, de dez horas até acabar a munição. Fora as esporádicas ou comemorativas. Posso contar da vez que fiquei quarenta minutos preso em uma oficina, esperando o tiroteio acabar. Este foi tão intenso que as balas chegaram a quase destruir o banheiro construído no ponto do mototaxi, que ficou na linha de tiro. Graças a Deus, e a UPP, esses fatos viraram história...

Enfim, hoje percebo que não adianta querermos viver em outro tempo, ou de outro modo. Nunca terei a vida ou as lembranças que meus pais têm. Não terei a parte boa e não terei a parte ruim. Mas terei minhas próprias histórias para contar. Acho que esse conceito pode ser estendido para diversas outras situações onde gostaríamos de estar ou não estar vivendo de uma certa maneira. Só podemos fazer o melhor. E, se não der certo, sobram as histórias.